Carta de Manoel de Moraes Barros, 1897, 01-0000161
Metadados
Descrição
Carta de Manoel de Moraes Barros para Paulo de Moraes Barros e outros, Rio de Janeiro - RJ, 1897
Código do documento
01-0000161
Remetente / Autor
Manoel de Moraes Barros
Destinatário
Paulo de Moraes Barros | Antonio de Moraes Barros
Palavras-chave
Ramiro Barcelos | Gentil de Castro | Benjamin Constant
Texto do documento
[01-0161-Página 01]
Rio, 14 - 9bro [novembro] - 1897 -
Paulo e Nhônhô
A querer escrever tudo seria m[ui]to longo, vai
ahi pouco e por alto.
Antehontem de noite, ao dar o ultimo
voto ao estado de sitio, foi o senado estrondo=
samente victoriado[?] pelo immenso povo
que envolvia o edificio e arredores.
Hontem na R[ua] do Ouvidor, onde nunca
vi tanto povo, era geral o contentamento
por sentirem-se todos melhor garantidos
depois de suspensas as garantias!
Já estão presos uns 14 compromethidos
na conspiração, por planejou o crime
do dia 5. Palpita-me que ainda falta
um chefe rio-grandense. Ramiro Bar-
cellos parece-me cunivemte.
No dia 16 vamos ter no Senado, com
certeza, e provavelm[ent]e na Cam[ar]a, questão
sobre as immunidades parlamentares,
ameaçando a opposição retirar-se
[01-0161-Página 02]
si não fôr bem justificada a prisão do
senador e dos deputados. Disserão-me
que esta bem provado ter sido o A[lcindo]
Guanabara o mandante do assas=
sinato do Gentil de Castro, gabando-
se (o que é velho) o filho do Benjamin
Constant de ter desfechado um dos
tiros.
Contando com o Q[uintino] Bocayuva, que
acaba de subir muito na estima pu=
blica, teremos 33 senadores presentes,
quando 32 fazem quorum.
Em S[ão] Paulo achei Elisa despachada
e Octavio muito enfiado com a 4ª
filha.
Já choveu ahi ou continúa a sêcca,
que deixei?
Adeus. Recebáo a benção do
Papai,
Moraes Barros.
Lista de apelidos:
Antonio de Moraes Barros – Nhonho / Nhônhô
Manoel de Moraes Barros – "Papai"
Rio, 14 - 9bro [novembro] - 1897 -
Paulo e Nhônhô
A querer escrever tudo seria m[ui]to longo, vai
ahi pouco e por alto.
Antehontem de noite, ao dar o ultimo
voto ao estado de sitio, foi o senado estrondo=
samente victoriado[?] pelo immenso povo
que envolvia o edificio e arredores.
Hontem na R[ua] do Ouvidor, onde nunca
vi tanto povo, era geral o contentamento
por sentirem-se todos melhor garantidos
depois de suspensas as garantias!
Já estão presos uns 14 compromethidos
na conspiração, por planejou o crime
do dia 5. Palpita-me que ainda falta
um chefe rio-grandense. Ramiro Bar-
cellos parece-me cunivemte.
No dia 16 vamos ter no Senado, com
certeza, e provavelm[ent]e na Cam[ar]a, questão
sobre as immunidades parlamentares,
ameaçando a opposição retirar-se
[01-0161-Página 02]
si não fôr bem justificada a prisão do
senador e dos deputados. Disserão-me
que esta bem provado ter sido o A[lcindo]
Guanabara o mandante do assas=
sinato do Gentil de Castro, gabando-
se (o que é velho) o filho do Benjamin
Constant de ter desfechado um dos
tiros.
Contando com o Q[uintino] Bocayuva, que
acaba de subir muito na estima pu=
blica, teremos 33 senadores presentes,
quando 32 fazem quorum.
Em S[ão] Paulo achei Elisa despachada
e Octavio muito enfiado com a 4ª
filha.
Já choveu ahi ou continúa a sêcca,
que deixei?
Adeus. Recebáo a benção do
Papai,
Moraes Barros.
Lista de apelidos:
Antonio de Moraes Barros – Nhonho / Nhônhô
Manoel de Moraes Barros – "Papai"