Carta de Paulo de Moraes Barros, 1926, 01-0000405
Metadados
Descrição
Carta de Paulo de Moraes Barros para Antonio de Moraes Barros, Piracicaba - SP, 1926
Código do documento
01-0000405
Remetente / Autor
Paulo de Moraes Barros
Destinatário
Antonio de Moraes Barros
Palavras-chave
Matadouro | Siqueira Campos | Cezario Bastos | Pedro Lessa | Manequinho Ferraz
Texto do documento
[01-0405- Página 01 - envelope]
[Envelope timbrado: FAZENDA PÁO D’ALHO / MORAES BARROS & IRMÃO / PORTO JOÃO ALFREDO / Municipio de Piracicaba; com carimbos dos correios e selo.]
Ill[ustríssi]m[o] S[e]n[ho]r [impresso] D[out]or [manuscrito]
Antonio de Moraes Barros
Rua Braulio Gomes – 2 –
S[ão] Paulo
[01-0405- Página 02]
[Papel timbrado: FAZENDA PAU D’ALHO / MORAES BARROS & IRMÃO / PORTO JOÃO ALFREDO / Municipio de Piracicaba]
Reservada
Pau d’Alho, 15 de 10bro (dezembro) de 1926
Nhônhô
Cá estamos gozando, um tanto á força,
os bons ares do Páo d’Alho e com isso parece
que a lavoura e criação vão lucrando razoa-
velmente e não menos a nossa fabrica de assucar.
Preciso por em ordem os meus orçamentos de
modo a fazer chegar a receita para a despeza.
Com o Nhônhô Magalhães, que é delles a parte
mais melindrosa, o negocio está apalavrado nas
bases seguintes: prazo de dois annos, juros de
12% em c/c, 1ª hypotheca da fabrica, lettras
garantidas com as firmas individuaes dos
directores, obrigação destes ficarem com os
seus 300 contos de capital - acções, e mais, a obri-
gação, que me parece monstruosa, se o cam-
bio cahir á taxa, ou casa de 4p., de lhes ser
paga a differença cambial. Muito se pode-
ria discutir sobre o caso, mas, aceitas em
principio como já estão todas as clausulas
enumeradas, eu me insurjo e estou espernean-
do só quanto á ultima, ainda com a
esperança de evital-a, porque, quanto
as outras é questão fechada - de pegar ou largar.
E como o nó da corda já começa a asphy-
xiar e o negocio da Tecelagem, apezar de tudo é bom, não
ha remedio senão discutirmos apenas o que é dis-
[01-0405- Página 03]
[Papel timbrado: FAZENDA PAU D’ALHO / MORAES BARROS & IRMÃO / PORTO JOÃO ALFREDO / Municipio de Piracicaba]
cutivel. Outros casos que apertam são: o cus-
teio da nossa fazendola – Saudade –, acertado
com o J. Sampaio p/c. do nosso credito em c/c
com a C[ompanh]ia Cafeeira; M[oraes] B[arros] & C[ompanh]ia, a qual
devo 60 ou 70 contos, certo de pagar ou ga-
rantir com a venda ou hypotheca do bom
terreno que tenho no Jardim America; 57
contos devidos ao Aquilino, 50 ao Peró, 30
a V[ocê] e 25 a Leninha. Reduzidas como estão
sendo as nossas despesas forçadas, conto
com o sufficiente para enfrental-as (as despesas) e
aos juros dessas dividas neste proximo an-
no ruim de 1927. Em 1928 com a renda se-
gura do Páo d’Alho e da Chantebled devo
ter sobras para amortizar capitaes e juros
desses emprestimos.
Para a falta sensivel, mas, justa e natural,
de M[oraes] B[arros] & C[ompanh]ia não poderem continuar, como
meus correspondentes banqueiros, a me sup-
prirem dos cum quibus para as despezas
mensaes forçadas como até o presente, estou providenciando de
modo a, sem fazer novas dividas, ter no
Banco Commercial depositados os fundos
necessarios.
Do meu plano restaurador faz parte a li-
quidação do inventario do Luiz Quirino.
[01-0405- Página 04]
[Papel timbrado: FAZENDA PAU D’ALHO / MORAES BARROS & IRMÃO / PORTO JOÃO ALFREDO / Municipio de Piracicaba]
Com ella me alliviarei seguramente de
30 contos de dividas, ficando as meninas com
13 contos de renda, alem dos 300$ mensaes da
Isa, no B[an]co Commercial, dos 500$ da Mary, na
Esc[ola] Normal e dos 500$ da Nineta, juros do
dinheiro com o Mazagão, o quer dizer com o
sufficiente para viverem com folga a alguma
reserva para o que der e vier. É preciso, porem,
liquidarmos o inventario, para que o plano
não soffra contratempos. Destes o que mais
receio, é rusga da Isa com as irmans, ou ainda
algum namorico que resulte em casamento,
podendo comprometer a divisão da casa
do Rio, que deve ser feita entre os quatro ir-
mãos, mas, que só está em nome da Isa. Si,
para o empurrão definitivo nesse inventario
precisares das contas, poderei organisal-as
em 24 horas, na primeira occasião que estiver
em S[ão] Paulo e que será em breves dias.
Estou com tudo encaminhado para começar vida
nova, sendo esse inventario o ponto de partida.
Ajuda-me mais uma vez a dar conta do recado.
Que noticias ha da chegada do Caláo?
Reparte com Isaura e filhos abraços de
Sinhá, Córa e do mano
Paulo.
Lista de apelidos:
Antonio de Moraes Barros – Nhonho / Nhônhô
Helena de Moraes Barros – Leninha
Maria Luiza Quirino dos Santos – Sinhá
Nicolau de Moraes Barros – Calau
Pedro de Moraes Barros – Peró
[Envelope timbrado: FAZENDA PÁO D’ALHO / MORAES BARROS & IRMÃO / PORTO JOÃO ALFREDO / Municipio de Piracicaba; com carimbos dos correios e selo.]
Ill[ustríssi]m[o] S[e]n[ho]r [impresso] D[out]or [manuscrito]
Antonio de Moraes Barros
Rua Braulio Gomes – 2 –
S[ão] Paulo
[01-0405- Página 02]
[Papel timbrado: FAZENDA PAU D’ALHO / MORAES BARROS & IRMÃO / PORTO JOÃO ALFREDO / Municipio de Piracicaba]
Reservada
Pau d’Alho, 15 de 10bro (dezembro) de 1926
Nhônhô
Cá estamos gozando, um tanto á força,
os bons ares do Páo d’Alho e com isso parece
que a lavoura e criação vão lucrando razoa-
velmente e não menos a nossa fabrica de assucar.
Preciso por em ordem os meus orçamentos de
modo a fazer chegar a receita para a despeza.
Com o Nhônhô Magalhães, que é delles a parte
mais melindrosa, o negocio está apalavrado nas
bases seguintes: prazo de dois annos, juros de
12% em c/c, 1ª hypotheca da fabrica, lettras
garantidas com as firmas individuaes dos
directores, obrigação destes ficarem com os
seus 300 contos de capital - acções, e mais, a obri-
gação, que me parece monstruosa, se o cam-
bio cahir á taxa, ou casa de 4p., de lhes ser
paga a differença cambial. Muito se pode-
ria discutir sobre o caso, mas, aceitas em
principio como já estão todas as clausulas
enumeradas, eu me insurjo e estou espernean-
do só quanto á ultima, ainda com a
esperança de evital-a, porque, quanto
as outras é questão fechada - de pegar ou largar.
E como o nó da corda já começa a asphy-
xiar e o negocio da Tecelagem, apezar de tudo é bom, não
ha remedio senão discutirmos apenas o que é dis-
[01-0405- Página 03]
[Papel timbrado: FAZENDA PAU D’ALHO / MORAES BARROS & IRMÃO / PORTO JOÃO ALFREDO / Municipio de Piracicaba]
cutivel. Outros casos que apertam são: o cus-
teio da nossa fazendola – Saudade –, acertado
com o J. Sampaio p/c. do nosso credito em c/c
com a C[ompanh]ia Cafeeira; M[oraes] B[arros] & C[ompanh]ia, a qual
devo 60 ou 70 contos, certo de pagar ou ga-
rantir com a venda ou hypotheca do bom
terreno que tenho no Jardim America; 57
contos devidos ao Aquilino, 50 ao Peró, 30
a V[ocê] e 25 a Leninha. Reduzidas como estão
sendo as nossas despesas forçadas, conto
com o sufficiente para enfrental-as (as despesas) e
aos juros dessas dividas neste proximo an-
no ruim de 1927. Em 1928 com a renda se-
gura do Páo d’Alho e da Chantebled devo
ter sobras para amortizar capitaes e juros
desses emprestimos.
Para a falta sensivel, mas, justa e natural,
de M[oraes] B[arros] & C[ompanh]ia não poderem continuar, como
meus correspondentes banqueiros, a me sup-
prirem dos cum quibus para as despezas
mensaes forçadas como até o presente, estou providenciando de
modo a, sem fazer novas dividas, ter no
Banco Commercial depositados os fundos
necessarios.
Do meu plano restaurador faz parte a li-
quidação do inventario do Luiz Quirino.
[01-0405- Página 04]
[Papel timbrado: FAZENDA PAU D’ALHO / MORAES BARROS & IRMÃO / PORTO JOÃO ALFREDO / Municipio de Piracicaba]
Com ella me alliviarei seguramente de
30 contos de dividas, ficando as meninas com
13 contos de renda, alem dos 300$ mensaes da
Isa, no B[an]co Commercial, dos 500$ da Mary, na
Esc[ola] Normal e dos 500$ da Nineta, juros do
dinheiro com o Mazagão, o quer dizer com o
sufficiente para viverem com folga a alguma
reserva para o que der e vier. É preciso, porem,
liquidarmos o inventario, para que o plano
não soffra contratempos. Destes o que mais
receio, é rusga da Isa com as irmans, ou ainda
algum namorico que resulte em casamento,
podendo comprometer a divisão da casa
do Rio, que deve ser feita entre os quatro ir-
mãos, mas, que só está em nome da Isa. Si,
para o empurrão definitivo nesse inventario
precisares das contas, poderei organisal-as
em 24 horas, na primeira occasião que estiver
em S[ão] Paulo e que será em breves dias.
Estou com tudo encaminhado para começar vida
nova, sendo esse inventario o ponto de partida.
Ajuda-me mais uma vez a dar conta do recado.
Que noticias ha da chegada do Caláo?
Reparte com Isaura e filhos abraços de
Sinhá, Córa e do mano
Paulo.
Lista de apelidos:
Antonio de Moraes Barros – Nhonho / Nhônhô
Helena de Moraes Barros – Leninha
Maria Luiza Quirino dos Santos – Sinhá
Nicolau de Moraes Barros – Calau
Pedro de Moraes Barros – Peró