Carta de Antonio Carlos Ferraz Salles, 1917, 01-0000747
Metadados
Descrição
Carta de Antonio Carlos Ferraz Salles para Antonio de Moraes Barros, Est. F. Salles - SP, 1917
Código do documento
01-0000747
Remetente / Autor
Antonio Carlos Ferraz Salles
Destinatário
Antonio de Moraes Barros
Texto do documento
[01-0747-Página 01]
Est[ação] F[erraz] Salles 18 de Maio de 1907
Nhonhô
Com quanto não acredite nesse negocio no-
vamente encetado, respondi o seu telegramma
e faço isto somente considerando que você,
por uma bondade que não se cansa, por uma
amisade que não mereço, está metido nisso.
Se já não passou escriptura, passe sem per-
da de mais tempo porque, comprehende-se
que, nem você nem eu podemos estar sen-
do brinquedos de quem quer que seja.
Conforme já dice no telegramma de hon-
tem, concordo com o negocio pelos 185
contos, não entrando a letra (a m[inh]a) que vo-
cê recebeu, como d[inhei]ro, senão na proporção
em que vou pagar outros credores, isso q[uan]do
muito, pois que devia essa letra ficar por
conta das creançadas e as intrigas que eu
sei de fonte limpa que fizeram.
Isso e todas as despesas feitas desde o dia 20
do mez passado, dia em que fechei todas as
contas p[o]r ordem do m[es]mo comprador, serviço
que perdi. Essas dispesas comprehendem
tudo que se despendeu desde o dia 20, inclu-
sive concerto de carroças q[ue] mandei fazer, assim
como de arreios das m[es]mas e outros. – E outros,
não se esqueça de mencionar, para não
[Á esquerda, na vertical:]
Tenho alguns camaradas e colonos novos que me devem
alguma coisa, pouca, isso me ha de ser pago. Talvez não
atinja a 500$.
[01-0747-Página 02]
apparecerem novas duvidas no ajuste de contas.
Eu tenho aqui um expanhol que faz o fubá p[ar]a
os colonos e plantou p[ar]a si, em terras de um visi-
nho (Maria do Carmo) uns 4 ou 6 quarteis de canna
p[ar]a moer do meu engenho, eu lhe fornecendo car-
ro e bois p[ar]a a moagem, e elle me fornece alguma
aguardente, pouca, que eu gasto com os colonos
na occasião da colheita. É preciso ficar combi-
nado que isso será mantido p[ar]a o expanhol não
perder o seu trabalho.
O que entra no negocio é o que já ficou acertado
de outra vez:
12 burros de carroça
8 bois de carro
1 carro
carpideiras não sei q[uan]tas
carroças “
Espero aviso seu por telegramma para justar con-
tas de novo com o pessoal da fazenda, para não
correr o risco de perder outra vez o trabalho e não
perturbar o andamento do serviço.
Agora que o café já está maduro e apparecendo,
estou convencido de colher de 8 a 10000 arrobas. Se
faço o negocio é som[en]te p[ar]a acabar com esta vida
de incertezas q[ue] me traz contrariado dia e noite;
não é p[ar]a q[ue] não tenha a convicção de que o negocio
é pessimo. Abraços do Tio e Am[ig]o
A[ntonio] Salles
[Á esquerda, na vertical:]
No pagamento das outras dividas é preciso que não fique nenhuma de fóra
para se estabelecer a porcentagem a pagar, sabendo-me pelo menos 30 contos
senão puder ser mais um pouco; sendo que a do herdeiro de B. de
Campos não pode ser paga com abatimento e ser – 8 contos assim como os seus
3 contos.
Est[ação] F[erraz] Salles 18 de Maio de 1907
Nhonhô
Com quanto não acredite nesse negocio no-
vamente encetado, respondi o seu telegramma
e faço isto somente considerando que você,
por uma bondade que não se cansa, por uma
amisade que não mereço, está metido nisso.
Se já não passou escriptura, passe sem per-
da de mais tempo porque, comprehende-se
que, nem você nem eu podemos estar sen-
do brinquedos de quem quer que seja.
Conforme já dice no telegramma de hon-
tem, concordo com o negocio pelos 185
contos, não entrando a letra (a m[inh]a) que vo-
cê recebeu, como d[inhei]ro, senão na proporção
em que vou pagar outros credores, isso q[uan]do
muito, pois que devia essa letra ficar por
conta das creançadas e as intrigas que eu
sei de fonte limpa que fizeram.
Isso e todas as despesas feitas desde o dia 20
do mez passado, dia em que fechei todas as
contas p[o]r ordem do m[es]mo comprador, serviço
que perdi. Essas dispesas comprehendem
tudo que se despendeu desde o dia 20, inclu-
sive concerto de carroças q[ue] mandei fazer, assim
como de arreios das m[es]mas e outros. – E outros,
não se esqueça de mencionar, para não
[Á esquerda, na vertical:]
Tenho alguns camaradas e colonos novos que me devem
alguma coisa, pouca, isso me ha de ser pago. Talvez não
atinja a 500$.
[01-0747-Página 02]
apparecerem novas duvidas no ajuste de contas.
Eu tenho aqui um expanhol que faz o fubá p[ar]a
os colonos e plantou p[ar]a si, em terras de um visi-
nho (Maria do Carmo) uns 4 ou 6 quarteis de canna
p[ar]a moer do meu engenho, eu lhe fornecendo car-
ro e bois p[ar]a a moagem, e elle me fornece alguma
aguardente, pouca, que eu gasto com os colonos
na occasião da colheita. É preciso ficar combi-
nado que isso será mantido p[ar]a o expanhol não
perder o seu trabalho.
O que entra no negocio é o que já ficou acertado
de outra vez:
12 burros de carroça
8 bois de carro
1 carro
carpideiras não sei q[uan]tas
carroças “
Espero aviso seu por telegramma para justar con-
tas de novo com o pessoal da fazenda, para não
correr o risco de perder outra vez o trabalho e não
perturbar o andamento do serviço.
Agora que o café já está maduro e apparecendo,
estou convencido de colher de 8 a 10000 arrobas. Se
faço o negocio é som[en]te p[ar]a acabar com esta vida
de incertezas q[ue] me traz contrariado dia e noite;
não é p[ar]a q[ue] não tenha a convicção de que o negocio
é pessimo. Abraços do Tio e Am[ig]o
A[ntonio] Salles
[Á esquerda, na vertical:]
No pagamento das outras dividas é preciso que não fique nenhuma de fóra
para se estabelecer a porcentagem a pagar, sabendo-me pelo menos 30 contos
senão puder ser mais um pouco; sendo que a do herdeiro de B. de
Campos não pode ser paga com abatimento e ser – 8 contos assim como os seus
3 contos.