Carta de Antonio de Moraes Barros, 1891, 05-0000087
Metadados
Descrição
Carta de Antonio de Moraes Barros para Isaura de Moraes Barros, São Paulo - SP, 1891
Código do documento
05-0000087
Remetente / Autor
Antonio de Moraes Barros
Destinatário
Isaura de Moraes Barros
Texto do documento
[05-0087-Página 01]
Isaura
Aqui estou, tendo chegado sem novidades.
Não lhe escrevi hontem por ter estado m[ui]to
atarefado até a noite, e por não ter encon-
trado em casa nem papel, nem sello.
Faço-a da casa de Eliza, que já está em
pé, mas passando a caldo de gallinha.
Já entrei com Nhanhã em planos
para fazer as compras, amanhã
iremos juntos a cidade afim de come-
çar. A costureira que fez o teu vestido
que eu dei, não pode fazer mais nenhum,
por doente. Nhanhã está certa de arranjar
outra costureira.
Chega de vestidos e dessas coisas:
com saudades é que eu estou
[05-0087-Página 02 - esquerda]
e muitas! Si pudesse dar um
beijinho? Ah! Seria explendido.
Em todo o caso um consolo a cer-
teza de que você lá está pensando
cá no rapaz, que afinal não
merece tanto, mas que gosta
disso. Isso lá é verdade, gosto mesmo.
Não posso dizer ainda quando
lá estarei. Talvez fique por aqui
ate seg[und]a feira. Não chore com
a noticia, porque quanto mais
você está longe do meu olhar
tanto mais perto fica pelo pensa-
mento e imaginação. O que é
pena é que a imaginação não
substitue a realidade ineffavel
[05-0087-Página 02 - direita]
de um abraço ou de um beijo.
Mas deixa estar que em
Piracicaba eu descontarei
o tempo aqui perdido triplicando
o numero daquelles bons beijos.
Deixa estar, que você ha de ver.
Um abraço bem
apertado do teu
noivo
Nhônhô
S[ão] Paulo, 9 de Junho de 1896[?]
Lista de apelidos:
Antonio de Moraes Barros – Nhonho / Nhônhô
Isaura
Aqui estou, tendo chegado sem novidades.
Não lhe escrevi hontem por ter estado m[ui]to
atarefado até a noite, e por não ter encon-
trado em casa nem papel, nem sello.
Faço-a da casa de Eliza, que já está em
pé, mas passando a caldo de gallinha.
Já entrei com Nhanhã em planos
para fazer as compras, amanhã
iremos juntos a cidade afim de come-
çar. A costureira que fez o teu vestido
que eu dei, não pode fazer mais nenhum,
por doente. Nhanhã está certa de arranjar
outra costureira.
Chega de vestidos e dessas coisas:
com saudades é que eu estou
[05-0087-Página 02 - esquerda]
e muitas! Si pudesse dar um
beijinho? Ah! Seria explendido.
Em todo o caso um consolo a cer-
teza de que você lá está pensando
cá no rapaz, que afinal não
merece tanto, mas que gosta
disso. Isso lá é verdade, gosto mesmo.
Não posso dizer ainda quando
lá estarei. Talvez fique por aqui
ate seg[und]a feira. Não chore com
a noticia, porque quanto mais
você está longe do meu olhar
tanto mais perto fica pelo pensa-
mento e imaginação. O que é
pena é que a imaginação não
substitue a realidade ineffavel
[05-0087-Página 02 - direita]
de um abraço ou de um beijo.
Mas deixa estar que em
Piracicaba eu descontarei
o tempo aqui perdido triplicando
o numero daquelles bons beijos.
Deixa estar, que você ha de ver.
Um abraço bem
apertado do teu
noivo
Nhônhô
S[ão] Paulo, 9 de Junho de 1896[?]
Lista de apelidos:
Antonio de Moraes Barros – Nhonho / Nhônhô