Carta de Jacinto de Barros, 1909, 01-0000620
Metadados
Descrição
Carta de Jacinto de Barros para Antonio de Moraes Barros, Tremembé - SP, 1909
Código do documento
01-0000620
Remetente / Autor
Jacinto de Barros
Destinatário
Antonio de Moraes Barros
Texto do documento
[01-0620- Página 01]
Reservada
Tremembé 17 de Janeiro de 1909
Am[ig]o S[e]n[ho]r Antoninho
Desejo que esteja gozan=
do saude e fazendo a nossa querida Sociedade
singrar em mar de prosperidade e voto seguro.
O novo candidato não é considerado bom pelo D[outo]r
Dino: acha mesmo que dada a posição delle em re=
lação a politica do Estado e do Rubião aqui no
Norte, si elle for o presidente da Sociedade, esta
verá sempre todas as suas pretenções malogradas.
Pela clara exposição que elle me fez da politica
do Estado e da posição que em relação a ella occu=
po o nosso candidato convenci-me desde logo de
que é do interesse da Sociedade abrirmos mão
delle, embora com dor de coração e sem termos outro
com certas qualidades, que este possuia em alta do=
ze.
Dos da deputação federal, melhor que o Cincinato
acha o Candido Motta; mas este, é maçon, e positivista, e eu di=
go francamente: quero evitar a entrada na Socie=
dade, tanto quanto possivel, de quem não for
catholico. Por isso ainda que reuna todas as outras
qualidades não será meu candidato.
O Dino não acha, em geral, os medicos bons compa=
nheiros: que elles são muito intransigentes, não sa=
bem se amoldar as conveniencias de occasião como
as vezes é necessario.
[01-0620- Página 02]
Dos lentes da academia me apresentou dois no=
mes: Porchat e Gabriel de Resende. Aquele ho=
mem muito direito, mas um tanto rispido e de
trato pouco ameno. Fez realçar as qualidades deste:
homem distincto, muito tentavel, bom advogado, in=
telligente, muito amigo do Lins, esta assentada a
sua nomeação para advogado do Banco Agricola,
é mineiro, tem muito boas relações com os patri=
cios que estão governando a República e com os di=
rectores do Banco do Brazil, é finalmente paren=
te muito proximo do Candido Rodrigues. Ponderou
e muito bem que o facto de ser muito intimo de
Lins e parente do Candido Rodrigues facilitaria por
a margem qualquer outro candidato, que quizessem
nos impor. Si acertarmos na candidatura do D[outo]r Ga=
briel de Resende, o D[out]or Dino se incumbe de falar
com elle e fazel-o acceitar.
Afinal me disse o Dino: temos tempo e pode appa=
recer algum outro nome melhor. Fiquei de estar
com elle outra vez, logo, o que será ou aqui (porque,
em chegando o Antonio Maria, elle vem ver a troppa)
ou em Pindª mesmo, onde voltarei dentro de poucos
dias, si elle não vier aqui.
Gosto muito de ouvir o Dino nestas situações dif=
fíceis: é um homem de muito tino e muito pru=
dente. Além disso muito leal.
Procure tomar informações (assim como quem não quer
nada) do D[out]or Gabriel de Resende.
Um defeito que elle, para mim tem, si não tiver outros,
[À lateral esquerda, na vertical:]
é o de ser um completo estranho a Sociedade, um homem que nenhum ser=
viço portou-lhe, que a desconhece mesmo, talvez não lhe saiba nem o nome.
Parece uma ingratidão sem igual tratarmos de colocar quem nunca nos aju=
dou no periodo difficil da Sociedade, quando tanto precisamos até de simples ani=
mações, deixando aquelles que sempre estiveram ao nosso lado, como o Meiva[?].
[Dando sequência, na parte de cima do texto:]
Ficar o proprio Augusto Ramos é a melhor solução.
[No topo da página:]
Adeus. Recommende-me ao D[out]or José Ant[oni]o e aos amigos.
Do am[ig]o est[imad]o[?] - Jacinto de Ramos.
Reservada
Tremembé 17 de Janeiro de 1909
Am[ig]o S[e]n[ho]r Antoninho
Desejo que esteja gozan=
do saude e fazendo a nossa querida Sociedade
singrar em mar de prosperidade e voto seguro.
O novo candidato não é considerado bom pelo D[outo]r
Dino: acha mesmo que dada a posição delle em re=
lação a politica do Estado e do Rubião aqui no
Norte, si elle for o presidente da Sociedade, esta
verá sempre todas as suas pretenções malogradas.
Pela clara exposição que elle me fez da politica
do Estado e da posição que em relação a ella occu=
po o nosso candidato convenci-me desde logo de
que é do interesse da Sociedade abrirmos mão
delle, embora com dor de coração e sem termos outro
com certas qualidades, que este possuia em alta do=
ze.
Dos da deputação federal, melhor que o Cincinato
acha o Candido Motta; mas este, é maçon, e positivista, e eu di=
go francamente: quero evitar a entrada na Socie=
dade, tanto quanto possivel, de quem não for
catholico. Por isso ainda que reuna todas as outras
qualidades não será meu candidato.
O Dino não acha, em geral, os medicos bons compa=
nheiros: que elles são muito intransigentes, não sa=
bem se amoldar as conveniencias de occasião como
as vezes é necessario.
[01-0620- Página 02]
Dos lentes da academia me apresentou dois no=
mes: Porchat e Gabriel de Resende. Aquele ho=
mem muito direito, mas um tanto rispido e de
trato pouco ameno. Fez realçar as qualidades deste:
homem distincto, muito tentavel, bom advogado, in=
telligente, muito amigo do Lins, esta assentada a
sua nomeação para advogado do Banco Agricola,
é mineiro, tem muito boas relações com os patri=
cios que estão governando a República e com os di=
rectores do Banco do Brazil, é finalmente paren=
te muito proximo do Candido Rodrigues. Ponderou
e muito bem que o facto de ser muito intimo de
Lins e parente do Candido Rodrigues facilitaria por
a margem qualquer outro candidato, que quizessem
nos impor. Si acertarmos na candidatura do D[outo]r Ga=
briel de Resende, o D[out]or Dino se incumbe de falar
com elle e fazel-o acceitar.
Afinal me disse o Dino: temos tempo e pode appa=
recer algum outro nome melhor. Fiquei de estar
com elle outra vez, logo, o que será ou aqui (porque,
em chegando o Antonio Maria, elle vem ver a troppa)
ou em Pindª mesmo, onde voltarei dentro de poucos
dias, si elle não vier aqui.
Gosto muito de ouvir o Dino nestas situações dif=
fíceis: é um homem de muito tino e muito pru=
dente. Além disso muito leal.
Procure tomar informações (assim como quem não quer
nada) do D[out]or Gabriel de Resende.
Um defeito que elle, para mim tem, si não tiver outros,
[À lateral esquerda, na vertical:]
é o de ser um completo estranho a Sociedade, um homem que nenhum ser=
viço portou-lhe, que a desconhece mesmo, talvez não lhe saiba nem o nome.
Parece uma ingratidão sem igual tratarmos de colocar quem nunca nos aju=
dou no periodo difficil da Sociedade, quando tanto precisamos até de simples ani=
mações, deixando aquelles que sempre estiveram ao nosso lado, como o Meiva[?].
[Dando sequência, na parte de cima do texto:]
Ficar o proprio Augusto Ramos é a melhor solução.
[No topo da página:]
Adeus. Recommende-me ao D[out]or José Ant[oni]o e aos amigos.
Do am[ig]o est[imad]o[?] - Jacinto de Ramos.