Carta de Manoel de Moraes Barros, 1898, 01-0000254
Metadados
Descrição
Carta de Manoel de Moraes Barros para Antonio de Moraes Barros, Rio de Janeiro - RJ, 1898
Código do documento
01-0000254
Remetente / Autor
Manoel de Moraes Barros
Destinatário
Antonio de Moraes Barros
Palavras-chave
Severino Vieira | Herman
Texto do documento
[01-0254-Página 01]
Rio, 30 - 8bro [outubro] - 98.
Nhonhô.
Incidente escandaloso hontem no Senado.
Tantas vezes vai o balde ao fundo até que
lá fica. É costume do M[anue]l Vitorino
dirigir de sua cathedra de presidente,
em voz baixa, mas ouvida pelos secreta-
rios, desafôros aos oradores governistas,
principalmente ao patricio e ex-am[ig]o
Severino Vieira. Hontem este commen=
tava na hora do expediente, em termos
muito habeis, o procedim[en]to, do M[anuel] Vitorino
quando não deu providencia alguma
contra os distritos e insolvencias do
M[aj]or Febronio contra o Levy Vianna
depois da derrota de Canudos, qu e
ouviu, e tambem diversos outros sena=
dores, o presidente dizer – está men=
tindo escandalosam[ent]e. Severino
reagiu com energia, como o caso
pedia, muitos senadores gritarão
[01-0254-Página 02 - esquerda]
protestando, M[anuel] Vitorino não negou,
antes disse que não podia ouvir
calado certas cousas, então eu - gritei -
se não é capaz de conservar a
calma, abandone essa cadeira, que
não foi destinada para dirigir
desafôros – uma balburdia dos diabos.
Afinal um louco salvou a situação:
o Almino em forma de aparte
considerou que o Severino não podia
ter ouvido aquellas palavras, que
se as ouviu não foi do presidente
e que se foi d’este não erão dirigidas
a este Severino. Consultando este
ao Senado se devia continuar disse[?]
que não contava com a garantia
da Meza, que era propria a aggre=
dil-o, alguem disse: – considere-se
superior a este e continue, e de
facto continuou. No meio da
gritaria o meiro[?] que gritava
[01-0254-Página 02 - direita]
a favor do Vitorino era o impagavel
Esteves[?]. Vitorino ficou acabrunhado,
tanto que excedendo Severino a
hora do expediente, em vez de adver=
til-o directam[ent]e, mandou muito
humildem[ent]e avisal-o pelo Pedro
Alberto Gonçalves –
Escrevo-te porque toda a imprensa
calou o incidente. O unico jornal
que falla no caso e no intuito de
allarmal-o é a Imprensa.
Marica tem passado mal as tres
ultimas noites, passando os dias
muito soffivelm[ent]e. Aqui está o
Hermann que pela 2ª vez vem
buscar a mulher, e que agora
a leva. Já jeitei uma creada
preta p[ar]a fazer comp[anhi]a a esta
durante m[inh]a aus[enci]a no Senado –
vim com o Hermann e Tita almo=
çar com o Presidente, d’onde te es=
[01-0254-Página 03]
crevo –
Adeus – Papai.
Moraes Barros –
Lista de apelidos:
Antonio de Moraes Barros – Nhonho / Nhônhô
Carolina de Moraes Buchard – Tita [?]
Maria Inês da Silva Gordo / Maria Inês da Silva Gordo de Moraes Barros / Maria Ignez (de) Moraes Barros – Marica
Rio, 30 - 8bro [outubro] - 98.
Nhonhô.
Incidente escandaloso hontem no Senado.
Tantas vezes vai o balde ao fundo até que
lá fica. É costume do M[anue]l Vitorino
dirigir de sua cathedra de presidente,
em voz baixa, mas ouvida pelos secreta-
rios, desafôros aos oradores governistas,
principalmente ao patricio e ex-am[ig]o
Severino Vieira. Hontem este commen=
tava na hora do expediente, em termos
muito habeis, o procedim[en]to, do M[anuel] Vitorino
quando não deu providencia alguma
contra os distritos e insolvencias do
M[aj]or Febronio contra o Levy Vianna
depois da derrota de Canudos, qu e
ouviu, e tambem diversos outros sena=
dores, o presidente dizer – está men=
tindo escandalosam[ent]e. Severino
reagiu com energia, como o caso
pedia, muitos senadores gritarão
[01-0254-Página 02 - esquerda]
protestando, M[anuel] Vitorino não negou,
antes disse que não podia ouvir
calado certas cousas, então eu - gritei -
se não é capaz de conservar a
calma, abandone essa cadeira, que
não foi destinada para dirigir
desafôros – uma balburdia dos diabos.
Afinal um louco salvou a situação:
o Almino em forma de aparte
considerou que o Severino não podia
ter ouvido aquellas palavras, que
se as ouviu não foi do presidente
e que se foi d’este não erão dirigidas
a este Severino. Consultando este
ao Senado se devia continuar disse[?]
que não contava com a garantia
da Meza, que era propria a aggre=
dil-o, alguem disse: – considere-se
superior a este e continue, e de
facto continuou. No meio da
gritaria o meiro[?] que gritava
[01-0254-Página 02 - direita]
a favor do Vitorino era o impagavel
Esteves[?]. Vitorino ficou acabrunhado,
tanto que excedendo Severino a
hora do expediente, em vez de adver=
til-o directam[ent]e, mandou muito
humildem[ent]e avisal-o pelo Pedro
Alberto Gonçalves –
Escrevo-te porque toda a imprensa
calou o incidente. O unico jornal
que falla no caso e no intuito de
allarmal-o é a Imprensa.
Marica tem passado mal as tres
ultimas noites, passando os dias
muito soffivelm[ent]e. Aqui está o
Hermann que pela 2ª vez vem
buscar a mulher, e que agora
a leva. Já jeitei uma creada
preta p[ar]a fazer comp[anhi]a a esta
durante m[inh]a aus[enci]a no Senado –
vim com o Hermann e Tita almo=
çar com o Presidente, d’onde te es=
[01-0254-Página 03]
crevo –
Adeus – Papai.
Moraes Barros –
Lista de apelidos:
Antonio de Moraes Barros – Nhonho / Nhônhô
Carolina de Moraes Buchard – Tita [?]
Maria Inês da Silva Gordo / Maria Inês da Silva Gordo de Moraes Barros / Maria Ignez (de) Moraes Barros – Marica