Carta de Paulo de Moraes Barros, 1903, 01-0000602
Metadados
Descrição
Carta de Paulo de Moraes Barros para Antonio de Moraes Barros, Piracicaba - SP, 1903
Código do documento
01-0000602
Remetente / Autor
Paulo de Moraes Barros
Destinatário
Antonio de Moraes Barros
Texto do documento
[01-0602- Página 01]
[Papel timbrado: Presidencia da Camara Municipal / de / Piracicaba]
Piracicaba, 1 de Maio de 1903
Nhônhô
Consummou-se o crime do governo
do Estado contra a moralidade da nossa
Piracicaba. Hoje á tarde, dia anunciado para
começar a jogatina em Santa Cruz inauguraram
se–uma banca de rolêta, uma de bicho, duas
de jaburús e duas de buzio e os preparati=
vos continuam com açodamento para novas
bancas. E isto se fez com a garantia da poli=
cia, com o consentimento do delegado auxilliar!
Ainda hontem Firmiano e Piza nos asseguravam
o cumprimento da lei e hoje procedem por
esta forma! … Porque não acredito que o cana=
lha do Zé Roberto agisse sem a connivencia dos chefes.
Este tronca veio hoje visitar-me e não tocou
sobre o assumpto. Logo que eu soube a jogatina
iniciada, ás 6 horas da tarde, fui procural-o
no hotel e na porta d’este conservei-me até
meia noite, para interpellal-o energicamente.
O biltre, que anda rodeado de secretos e de ga=
tunos escondeu-se em casa de um destes ulti=
mos, de modo que não consegui vel-o. Consta
que amanhã elle se retira….. deixando funccio=
nando a primeira rolêta, como antes já
[01-0602- Página 02]
[Papel timbrado: Presidencia da Camara Municipal / de / Piracicaba]
o João Pedreira annunciara.
Telegraphei ao Firmiano e ao Piza, commu=
nicando o facto e protestando contra esta
vileza do governo, que desta vez mostrou-
se ainda digno dos seus comparsas d’aqui.
Se V[ocê] entender conveniente communique
o facto ao – Estado e Commercio –.
O plano do governo é aniquillar-nos, mas
os seus asseclas que se acautelem porque
não tenho mais obrigação de aconselhar calma
e prudencia ao povo. De aia[?] em diante fica=
mos sabendo que para nossa defeza e a de
nossos haveres e familia só podemos contar
com nossos proprios recursos. E depois, que
diabo, se isto tem de ficar anarchisado e
prostituido como o resto do Estado, nada
perdemos em que fique já. Teremos ao menos
o gosto de uma desforra. Esperarei alguns
dias mais, com uma terna esperança na hones=
tidade problematica do Firmiano, para tomar
uma resolução á respeito.
De saude todos bons.
Abraços do
mano
Paulo.
[À esquerda, na vertical:]
Como ultimo recurso procure o Domingos de Moraes
e conte-lhe o caso. Aguardo resposta.
Lista de apelidos:
Antonio de Moraes Barros – Nhonho / Nhônhô
[Papel timbrado: Presidencia da Camara Municipal / de / Piracicaba]
Piracicaba, 1 de Maio de 1903
Nhônhô
Consummou-se o crime do governo
do Estado contra a moralidade da nossa
Piracicaba. Hoje á tarde, dia anunciado para
começar a jogatina em Santa Cruz inauguraram
se–uma banca de rolêta, uma de bicho, duas
de jaburús e duas de buzio e os preparati=
vos continuam com açodamento para novas
bancas. E isto se fez com a garantia da poli=
cia, com o consentimento do delegado auxilliar!
Ainda hontem Firmiano e Piza nos asseguravam
o cumprimento da lei e hoje procedem por
esta forma! … Porque não acredito que o cana=
lha do Zé Roberto agisse sem a connivencia dos chefes.
Este tronca veio hoje visitar-me e não tocou
sobre o assumpto. Logo que eu soube a jogatina
iniciada, ás 6 horas da tarde, fui procural-o
no hotel e na porta d’este conservei-me até
meia noite, para interpellal-o energicamente.
O biltre, que anda rodeado de secretos e de ga=
tunos escondeu-se em casa de um destes ulti=
mos, de modo que não consegui vel-o. Consta
que amanhã elle se retira….. deixando funccio=
nando a primeira rolêta, como antes já
[01-0602- Página 02]
[Papel timbrado: Presidencia da Camara Municipal / de / Piracicaba]
o João Pedreira annunciara.
Telegraphei ao Firmiano e ao Piza, commu=
nicando o facto e protestando contra esta
vileza do governo, que desta vez mostrou-
se ainda digno dos seus comparsas d’aqui.
Se V[ocê] entender conveniente communique
o facto ao – Estado e Commercio –.
O plano do governo é aniquillar-nos, mas
os seus asseclas que se acautelem porque
não tenho mais obrigação de aconselhar calma
e prudencia ao povo. De aia[?] em diante fica=
mos sabendo que para nossa defeza e a de
nossos haveres e familia só podemos contar
com nossos proprios recursos. E depois, que
diabo, se isto tem de ficar anarchisado e
prostituido como o resto do Estado, nada
perdemos em que fique já. Teremos ao menos
o gosto de uma desforra. Esperarei alguns
dias mais, com uma terna esperança na hones=
tidade problematica do Firmiano, para tomar
uma resolução á respeito.
De saude todos bons.
Abraços do
mano
Paulo.
[À esquerda, na vertical:]
Como ultimo recurso procure o Domingos de Moraes
e conte-lhe o caso. Aguardo resposta.
Lista de apelidos:
Antonio de Moraes Barros – Nhonho / Nhônhô