Carta de Paulo de Moraes Barros, 1908, 01-0000383
Metadados
Descrição
Carta de Paulo de Moraes Barros para Antonio de Moraes Barros, Piracicaba - SP, 1908
Código do documento
01-0000383
Remetente / Autor
Paulo de Moraes Barros
Destinatário
Antonio de Moraes Barros
Palavras-chave
Fazenda Pau d'alho
Texto do documento
[01-0383- Página 01 - envelope]
[Envelope timbrado: D[outo]r PAULO DE MORAES BARROS / MEDICO / RUA DO COMMERCIO, 141 / PIRACICABA; com carimbos dos correios de Piracicaba com a data de 13 de março de 1908]
Ill[ustríssi]m[o] S[e]n[ho]r [impresso]
D[out]or Antonio de Moraes Barros
Rua Braulio Gomes 2
S[ão] Paulo.
[01-0383- Página 02]
[Papel timbrado: D[outo]r PAULO DE MORAES BARROS / MEDICO / RUA DO COMMERCIO, 141 / PIRACICABA]
Piracicaba, 12 de Março de 1908
Nhônhô
Voltei hoje do Pau d’Alho, onde estive
durante cinco dias providenciando serviços du-
rante minha ausencia, e vim encontrar a Ca=
mara cheia de crises. A primeira é a rennuncia
do mandato pelo Morato, consta que por ter
sido approvada a lei sobre matadouros parti-
culares, allegando elle ter promessa minha de
que o assumpto ficaria com pedra em cima,
o que não é verdade. O caso está sob reserva
e creio que o Maneco Silveira vae envidar
esforços para evitar que elle a torne effecti=
va a renuncia. A outra é a do Antoninho
Pinto, estourado, que se recusa a ir aos
bairros fazer o arrolamento das pequenas pro-
propriedades ruraes, sob pretexto que o regimento
não o obriga a isso. A Pintaiada[?] já está
alvoroçada com o caso, e conto como ine=
vitavel tel-a contra nós, porque não con=
sigo do Fernando Costa tolerar o homem, ain=
da que volte atraz da sua resolução.
A terceira é a do proprio Fernando que está
insistindo commigo para deixar a prefei=
tura por causa do caso Tonico e d’este.
E isto tudo em vesperas de minha partida,
quando mil e um assumptos estão a
[01-0383- Página 03]
[Papel timbrado: D[outo]r PAULO DE MORAES BARROS / MEDICO / RUA DO COMMERCIO, 141 / PIRACICABA]
reclamar minha attenção!...
Amanhã e depois terei o dia tomado com o
exame de contas do ultimo trimestre da
Camara, para liquidar o caso Tonico, pois
os companheiros até agora nada adiantaram.
E preciso fazer despedidas, prestar contas de
tutoria, escrever algumas dezenas de cartas,
cuidar em composição de futuro directorio, do
diabo emfim.
– Amanhã procurarei Juca Bravo para conversar
sobre o negocio do Aquilino. Não espero resultado
algum favoravel, porque elle e as mais da su=
cia só tratam de exploral-o, e em materia de dinheiro
são uns miseraveis. Em todo caso farei o possi=
vel p[ar]a ser bem succedido.
Para o lugar do Filinto no Grupo temos dois
candidatos: o Dario Brazil, filho do Zé Quito e
o Manoel de Almeida, ambos bons professores;
interesso-me mais pelo primeiro, com quem até
já me comprometti. O outro é candidato do
João Sampaio. – Fiquei com tanto receio
que fosse a Julietta Montera nomeada para a
escola do Recreio, que telegraphei ao Godoy
pedindo a nomeação da outra, cuja nova
procuração farei seguir breve.
– Estamos com pessoal reduzido nas tres
[01-0383- Página 04]
[Papel timbrado: D[outo]r PAULO DE MORAES BARROS / MEDICO / RUA DO COMMERCIO, 141 / PIRACICABA]
fazendas, mas como é p[ar]a a Semana Santa que
o Octavio precisará do Porphyrio, elle poderá
ir, ganhando pelo menos 2$500, que é quanto
ganha no Ibicatú. Tenho-lhe pago sempre 3$000
em caçadas. – Diga a Jorge que pode con=
tar com meus dois perdigueiros, para elle
e Octavio, o Campeiro e Blood. Este ainda
não é mestre, mas é muito bem ensinado,
tem bom pé e faro e não põe fóra.
Estamos certos de partir d’aqui a 20.
O que faço dos cafés baixos, mando a Cor=
deiro, ou p[ar]a alguma casa de S[ão] Paulo?
Pergunte a Caláo em que ficamos sobre
o jumento do B.[?] Geraldo de Rezende.
– Estou com palpite que o Luis vae bigodear
os dissidentes, que terão como ficha de conso=
lação a entrada do Tibiriçá p[ar]a a Commissão
em lugar do Bernardino …… se entrar.
Estou ancioso por ver-me livre d’este embru=
lho de politiquice local.
Abraços p[ar]a Isaura e filhos, de Nênê e
do mano
Paulo
Diga a Mamãe que a filha do Domingos Silve=
rio não serve p[ar]a creada de Nhanhâ, por doente e
a irmã de Maria é muito pequena.
[Escrito na lateral esquerda, na vertical:]
Ainda temos 110 saccas de café da Boa Esperança,
da safra de 1906 por vender. Os lucros líquidos d’essa
safra, com os cafés baixos devem elevar-se a 105 contos
mais ou menos.
[Envelope timbrado: D[outo]r PAULO DE MORAES BARROS / MEDICO / RUA DO COMMERCIO, 141 / PIRACICABA; com carimbos dos correios de Piracicaba com a data de 13 de março de 1908]
Ill[ustríssi]m[o] S[e]n[ho]r [impresso]
D[out]or Antonio de Moraes Barros
Rua Braulio Gomes 2
S[ão] Paulo.
[01-0383- Página 02]
[Papel timbrado: D[outo]r PAULO DE MORAES BARROS / MEDICO / RUA DO COMMERCIO, 141 / PIRACICABA]
Piracicaba, 12 de Março de 1908
Nhônhô
Voltei hoje do Pau d’Alho, onde estive
durante cinco dias providenciando serviços du-
rante minha ausencia, e vim encontrar a Ca=
mara cheia de crises. A primeira é a rennuncia
do mandato pelo Morato, consta que por ter
sido approvada a lei sobre matadouros parti-
culares, allegando elle ter promessa minha de
que o assumpto ficaria com pedra em cima,
o que não é verdade. O caso está sob reserva
e creio que o Maneco Silveira vae envidar
esforços para evitar que elle a torne effecti=
va a renuncia. A outra é a do Antoninho
Pinto, estourado, que se recusa a ir aos
bairros fazer o arrolamento das pequenas pro-
propriedades ruraes, sob pretexto que o regimento
não o obriga a isso. A Pintaiada[?] já está
alvoroçada com o caso, e conto como ine=
vitavel tel-a contra nós, porque não con=
sigo do Fernando Costa tolerar o homem, ain=
da que volte atraz da sua resolução.
A terceira é a do proprio Fernando que está
insistindo commigo para deixar a prefei=
tura por causa do caso Tonico e d’este.
E isto tudo em vesperas de minha partida,
quando mil e um assumptos estão a
[01-0383- Página 03]
[Papel timbrado: D[outo]r PAULO DE MORAES BARROS / MEDICO / RUA DO COMMERCIO, 141 / PIRACICABA]
reclamar minha attenção!...
Amanhã e depois terei o dia tomado com o
exame de contas do ultimo trimestre da
Camara, para liquidar o caso Tonico, pois
os companheiros até agora nada adiantaram.
E preciso fazer despedidas, prestar contas de
tutoria, escrever algumas dezenas de cartas,
cuidar em composição de futuro directorio, do
diabo emfim.
– Amanhã procurarei Juca Bravo para conversar
sobre o negocio do Aquilino. Não espero resultado
algum favoravel, porque elle e as mais da su=
cia só tratam de exploral-o, e em materia de dinheiro
são uns miseraveis. Em todo caso farei o possi=
vel p[ar]a ser bem succedido.
Para o lugar do Filinto no Grupo temos dois
candidatos: o Dario Brazil, filho do Zé Quito e
o Manoel de Almeida, ambos bons professores;
interesso-me mais pelo primeiro, com quem até
já me comprometti. O outro é candidato do
João Sampaio. – Fiquei com tanto receio
que fosse a Julietta Montera nomeada para a
escola do Recreio, que telegraphei ao Godoy
pedindo a nomeação da outra, cuja nova
procuração farei seguir breve.
– Estamos com pessoal reduzido nas tres
[01-0383- Página 04]
[Papel timbrado: D[outo]r PAULO DE MORAES BARROS / MEDICO / RUA DO COMMERCIO, 141 / PIRACICABA]
fazendas, mas como é p[ar]a a Semana Santa que
o Octavio precisará do Porphyrio, elle poderá
ir, ganhando pelo menos 2$500, que é quanto
ganha no Ibicatú. Tenho-lhe pago sempre 3$000
em caçadas. – Diga a Jorge que pode con=
tar com meus dois perdigueiros, para elle
e Octavio, o Campeiro e Blood. Este ainda
não é mestre, mas é muito bem ensinado,
tem bom pé e faro e não põe fóra.
Estamos certos de partir d’aqui a 20.
O que faço dos cafés baixos, mando a Cor=
deiro, ou p[ar]a alguma casa de S[ão] Paulo?
Pergunte a Caláo em que ficamos sobre
o jumento do B.[?] Geraldo de Rezende.
– Estou com palpite que o Luis vae bigodear
os dissidentes, que terão como ficha de conso=
lação a entrada do Tibiriçá p[ar]a a Commissão
em lugar do Bernardino …… se entrar.
Estou ancioso por ver-me livre d’este embru=
lho de politiquice local.
Abraços p[ar]a Isaura e filhos, de Nênê e
do mano
Paulo
Diga a Mamãe que a filha do Domingos Silve=
rio não serve p[ar]a creada de Nhanhâ, por doente e
a irmã de Maria é muito pequena.
[Escrito na lateral esquerda, na vertical:]
Ainda temos 110 saccas de café da Boa Esperança,
da safra de 1906 por vender. Os lucros líquidos d’essa
safra, com os cafés baixos devem elevar-se a 105 contos
mais ou menos.