Carta de Prudente de Moraes Filho, 1919, 01-0000546
Metadados
Descrição
Carta de Prudente de Moraes Filho para Antonio de Moraes Barros, Rio de Janeiro - RJ, 1919
Código do documento
01-0000546
Remetente / Autor
Prudente de Moraes Filho
Destinatário
Antonio de Moraes Barros
Palavras-chave
Antonio Carlos Coelho Rodrigues | Leonor de Moraes Barros
Texto do documento
[01-0546- Página 01]
[Papel timbrado: Prudente de Moraes Filho / Advogado]
Rio, 5 de Dezembro de 1919.
Nhônhô.
Demorei um pouco a responder a sua carta
porque queria ter o prazer de juntar à resposta,
como agora faço, a precatoria para averbação
no respectivo livro do registro da annullação
do casamento da Nônô. Para evitar que o cura-
dor especial appellasse eu fiz a Nônô appellar,
intimando a todos para sciencia da appella-
ção e uma vez passado o prazo para o curador
fel-a desistir da appellação e julgar por sentença
a desistencia. Passou assim em julgado a de-
cisão. O Ministerio publico não pode appellar
e neste caso não appellaria mesmo. De modo
que está tudo liquidado. Penso que a precatoria
poderá ser cumprida sem necessidade de qual-
quer requerimento do Coelho Rodrigues, mas se
assim não for me avise que eu mandarei
a procuração delle substabelecida em quem V[ocê]
indicar. Avise-me do recebimento da precato-
ria e do seu cumprimento.
Breve mandarei a nota de algumas des-
pezas feitas na causa, mas que não importam
em grande somma. Devem andar em menos
de 400$000. Occupei nessa causa tres collegas
distinctos, todos meus amigos, um como advogado
do Coelho Rodrigues, outro da Nônô e ainda outro
[01-0546- Página 02]
[Papel timbrado: Prudende de Moraes Filho / Advogado]
como curador a lide. Todos trabalharam muito
bem e de muito boa vontade, mas ao primeiro
e ao ultimo, ao advogado do Coelho e ao curador
não se póde offerecer honorarios e o advogado
da Nônô não os quereria cobrar nem receber.
Teremos, portanto, de dar um presente a cada
um. Se V[ocê] estiver de accordo mande dahi os
presentes ou me autorize a compral-os aqui,
dizendo-me até quanto posso empregar na acqui-
sição dos mesmos. Os advogados foram: do Coelho
Rodrigues, o D[outo]r Octavio Monteiro da Silva; da
Nônô, o D[outo]r Luiz de Villemor Amaral França;
e o curador, o D[outo]r Targino Ribeiro.
Quanto a mim não fiz nada a não ser di-
rigir o negocio e quando mesmo tivesse feito
seria isso no cumprimento de um elementarissi-
mo dever de parente e amigo. Por isso a nada
tenho direito e se me quizerem dar alguma cousa,
permittam-me que a escolha, o que faço desde
já, pedindo que me queiram bem.
- V[ocê] não recebeu um volume da - Fronteira
occidental do Pará, que eu mandei?
Sem mais, receba com os seus abraços
affectuosos do
Nhosinho.
Lista de apelidos:
Antonio de Moraes Barros – Nhonho / Nhônhô
Leonor de Moraes Barros – Nonô / Nônô
Prudente de Moraes Filho – Nhosinho
[Papel timbrado: Prudente de Moraes Filho / Advogado]
Rio, 5 de Dezembro de 1919.
Nhônhô.
Demorei um pouco a responder a sua carta
porque queria ter o prazer de juntar à resposta,
como agora faço, a precatoria para averbação
no respectivo livro do registro da annullação
do casamento da Nônô. Para evitar que o cura-
dor especial appellasse eu fiz a Nônô appellar,
intimando a todos para sciencia da appella-
ção e uma vez passado o prazo para o curador
fel-a desistir da appellação e julgar por sentença
a desistencia. Passou assim em julgado a de-
cisão. O Ministerio publico não pode appellar
e neste caso não appellaria mesmo. De modo
que está tudo liquidado. Penso que a precatoria
poderá ser cumprida sem necessidade de qual-
quer requerimento do Coelho Rodrigues, mas se
assim não for me avise que eu mandarei
a procuração delle substabelecida em quem V[ocê]
indicar. Avise-me do recebimento da precato-
ria e do seu cumprimento.
Breve mandarei a nota de algumas des-
pezas feitas na causa, mas que não importam
em grande somma. Devem andar em menos
de 400$000. Occupei nessa causa tres collegas
distinctos, todos meus amigos, um como advogado
do Coelho Rodrigues, outro da Nônô e ainda outro
[01-0546- Página 02]
[Papel timbrado: Prudende de Moraes Filho / Advogado]
como curador a lide. Todos trabalharam muito
bem e de muito boa vontade, mas ao primeiro
e ao ultimo, ao advogado do Coelho e ao curador
não se póde offerecer honorarios e o advogado
da Nônô não os quereria cobrar nem receber.
Teremos, portanto, de dar um presente a cada
um. Se V[ocê] estiver de accordo mande dahi os
presentes ou me autorize a compral-os aqui,
dizendo-me até quanto posso empregar na acqui-
sição dos mesmos. Os advogados foram: do Coelho
Rodrigues, o D[outo]r Octavio Monteiro da Silva; da
Nônô, o D[outo]r Luiz de Villemor Amaral França;
e o curador, o D[outo]r Targino Ribeiro.
Quanto a mim não fiz nada a não ser di-
rigir o negocio e quando mesmo tivesse feito
seria isso no cumprimento de um elementarissi-
mo dever de parente e amigo. Por isso a nada
tenho direito e se me quizerem dar alguma cousa,
permittam-me que a escolha, o que faço desde
já, pedindo que me queiram bem.
- V[ocê] não recebeu um volume da - Fronteira
occidental do Pará, que eu mandei?
Sem mais, receba com os seus abraços
affectuosos do
Nhosinho.
Lista de apelidos:
Antonio de Moraes Barros – Nhonho / Nhônhô
Leonor de Moraes Barros – Nonô / Nônô
Prudente de Moraes Filho – Nhosinho