Carta de Ruy Barbosa, 1911, 01-0000152
Metadados
Descrição
Carta de Ruy Barbosa para Antonio de Moraes Barros, Rio das Pedras - SP, 1911
Código do documento
01-0000152
Remetente / Autor
Ruy Barbosa
Destinatário
Antonio de Moraes Barros
Palavras-chave
Câmara dos Deputados | Conferência do Theatro Lyrico
Texto do documento
[01-0152-Página 01 - envelope]
Registre
[a lápis, anotação posterior: Ruy]
Il[ustríssi]mo Ex[celentíssi]mo S[enho]r 714
D[outo]r Antonio de Moraes Barros
Camara dos Deputados em
Rua Braulio Gomes 2
S[ão] Paulo
[01-0152-Página 02]
Rio das Pedras, 14 de janeiro, 911.
Meu caro D[outo]r Moraes Barros:
Perdoe-me o ter-me eu atrazado
tantos dias em responder, por mim e por
minha familia, aos obsequios da sua ama-
vel carta de 31 de dezembro. Peço-lhe q[ue] não
leve senão á conta das minhas circunstancias
actuaes esse retardamento. Não imagina a
sympathia particular, que me inspira, o apre-
ço, em que o tenho, e a consideração, com
que me desvaneço da sua amizade. O seu
nome é com dos poucos, q[ue] ainda represen-
tam, na politica brasileira, a tradição, já
gasta, da fidelidade aos principios; e a
minha memoria não se deslembrará nunca
do primeiro civilista, que, na Conferencia
do Theatro Lyrico, por onde abrimos a grande
campanha eleitoral, subiu da plateia ao
palco, arrastando com o seu exemplo a mul-
tidão, para dar ao candidato da reacção
constitucional a honra de lhe beijar as mãos.
O meu espirito guarda religiosamente estes ves-
tigios de um passado quasi extincto, mas
para mim indelevel. Com a segurança, pois,
destes sentimentos, aceite os votos sinceros
q[ue] pela sua felicidade e pela dos seus faz o
seu amigo m[ui]to ob[rigad]o
Ruy Barbosa
Registre
[a lápis, anotação posterior: Ruy]
Il[ustríssi]mo Ex[celentíssi]mo S[enho]r 714
D[outo]r Antonio de Moraes Barros
Camara dos Deputados em
Rua Braulio Gomes 2
S[ão] Paulo
[01-0152-Página 02]
Rio das Pedras, 14 de janeiro, 911.
Meu caro D[outo]r Moraes Barros:
Perdoe-me o ter-me eu atrazado
tantos dias em responder, por mim e por
minha familia, aos obsequios da sua ama-
vel carta de 31 de dezembro. Peço-lhe q[ue] não
leve senão á conta das minhas circunstancias
actuaes esse retardamento. Não imagina a
sympathia particular, que me inspira, o apre-
ço, em que o tenho, e a consideração, com
que me desvaneço da sua amizade. O seu
nome é com dos poucos, q[ue] ainda represen-
tam, na politica brasileira, a tradição, já
gasta, da fidelidade aos principios; e a
minha memoria não se deslembrará nunca
do primeiro civilista, que, na Conferencia
do Theatro Lyrico, por onde abrimos a grande
campanha eleitoral, subiu da plateia ao
palco, arrastando com o seu exemplo a mul-
tidão, para dar ao candidato da reacção
constitucional a honra de lhe beijar as mãos.
O meu espirito guarda religiosamente estes ves-
tigios de um passado quasi extincto, mas
para mim indelevel. Com a segurança, pois,
destes sentimentos, aceite os votos sinceros
q[ue] pela sua felicidade e pela dos seus faz o
seu amigo m[ui]to ob[rigad]o
Ruy Barbosa