Em 1873, a Convenção de Itu marcou a fundação do Partido Republicano Paulista (PRP) e a primeira reunião aberta do movimento republicano no país. Prudente de Moraes teve participação nesse evento histórico, figurando entre os signatários do manifesto, e consolidou-se como uma das principais lideranças do PRP ao lado de seu irmão Manuel de Moraes Barros. A partir dali, os Moraes Barros ajudaram a estruturar as bases do projeto republicano civilista, fundamentado no federalismo (a busca por autonomia para as províncias), na defesa da ordem constitucional e na representação dos interesses da cafeicultura em expansão.

Após a Proclamação da República em 1889 e o período de instabilidade sob os governos militares de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, a família atuou decisivamente na transição para o poder civil. Defensor da supremacia das leis e das instituições sobre a autoridade militar, Prudente de Moraes assumiu a Presidência do Senado na Assembleia Constitucional de 1891 e, em 1894, tornou-se o primeiro Presidente da República eleito pelo voto direto. Sua gestão abriu caminho para a consolidação da chamada política do café com leite, a aliança e a alternância de poder entre São Paulo e Minas Gerais no governo central. O arranjo garantiu a estabilidade do regime e o amparo institucional ao crédito, às ferrovias e à agricultura de exportação.

No acervo, essa rica trajetória política ganha contornos humanos e detalhes de bastidores. As cartas trocadas entre os membros da família revelam discussões reservadas sobre os rumos dos acontecimentos do país, articulações partidárias, impressões sobre aliados e adversários e os desafios cotidianos de se gerir o Estado em momentos de crise institucional.