Carta de João Sampaio, 1904, 01-0000417
Metadados
Descrição
Carta de João Sampaio para Antonio de Moraes Barros, Piracicaba - SP, 1904
Código do documento
01-0000417
Remetente / Autor
João Sampaio
Destinatário
Antonio de Moraes Barros
Palavras-chave
Carlos de Campos
Texto do documento
[01-0417- Página 01]
[Papel timbrado: JOÃO SAMPAIO / ADVOGADO.]
Piracicaba, 21-3-04.
Nhônhô.
Tenho em mãos a sua carta de hontem, á qual já respondi,
em parte, por um telegramma, que não sei se teria chegado ahi em bôa
hora e intelligivel, para os fins que visava. Escrevi-o assim.
“Risque as referencias ao doutor e á integridade e publique. Segue carta
amanhan.” Isso, precisamente, ou quasi isso.
Agora a carta:
Respondi ao anonymo porque sabia perfeitamente que era o Carlos de Cam-
pos (ou seria o Theodoro, que é a mesma cousa). E a treplica daquelle é
afinal uma confissão de que julguei bem.
A sua lembrança, de extrahir certidões, não é má. Creio, porém, que
o silencio delles diante da minha affirmação cathegorica de que “autor
ou seus advogados jamais allegaram as pretendidas adulterações” dispen-
sa-me de proval-o por certidões. Si elles, entretanto, o contestarem
usarei desse recurso, apesar de ser meu desejo dar por finda a
discussão pela imprensa, diante de respostas frageis, injuriosas e
subrepticias como têm sido a do C[arlos de] Campos.
A declaração dos ex-advogados de certo não me seria negada. Mas
é sempre um constrangimento para elles, por affectar embora
indirectamente o segredo profissional. O testemunho, pela fór-
ma que invoquei no meu primeiro artigo, não póde deixar
duvidas no espirito das pessoas imparciaes.
Não vi inconveniente em tocar em bandalheiras ao Bernardino,
que era figura indispensavel nesta discussão, ainda mesmo
que elles não procurassem envolver nella o Prudente, e com
[01-0417- Página 02]
maioria de razão tendo-o feito. Não me propuz a faser uma
recapitulação das bandalheiras delle,* aproveitei-as apenas pa-
ra os meus exemplos, premando por isso mesmo escolher
as mais conhecidas e as que considero provadas cabalmen-
te. O negrão do B. dAmião, consta de meu decreto e elles jamais
se atreveram a negar que o Banco aceitara a metade,
porque isso era muito sabido; o da Sorocabana consta de
orcamentos já publicados pela imprensa e o da accu-
muladora consta dos estatutos publicados.
A violencia de minha linguagem era necessaria. Ha certas
cousas que – ou não se dizem ou se dizem com todas as le-
tras. Você que conhece a questão a fundo póde bem avaliar
a minha indignação – premido da qual não me foi
possivel guardar conveniencias.
Aceitei as duas observações feitas ao ultimo artigo. A 1ª já
me tinha surgido ao espirito, depois que mandei a carta, pare-
ceu-me até que devia continuar a dar de d[outo]r ao homem. A 2ª
tambem é sagravel: tive a intenção de fazer pilheria, mas
podiam suppôr que era medo, ou pelo mesmo receio. E a ver-
dade é que não estou mesmo lá muito surpreso, se apparecer por
ahi meio desprevenido. Por menos apanhou o Mercado… um susto
ou um tapa. Saudades a teus e um abraço do primo e am[ig]o
João Sampaio
Até o fim do mez, se Lolota estiver bôa, estarei por ahi.
Lista de apelidos:
Antonio de Moraes Barros – Nhonho / Nhônhô
Carlota de Moraes Barros – Lolota
[Papel timbrado: JOÃO SAMPAIO / ADVOGADO.]
Piracicaba, 21-3-04.
Nhônhô.
Tenho em mãos a sua carta de hontem, á qual já respondi,
em parte, por um telegramma, que não sei se teria chegado ahi em bôa
hora e intelligivel, para os fins que visava. Escrevi-o assim.
“Risque as referencias ao doutor e á integridade e publique. Segue carta
amanhan.” Isso, precisamente, ou quasi isso.
Agora a carta:
Respondi ao anonymo porque sabia perfeitamente que era o Carlos de Cam-
pos (ou seria o Theodoro, que é a mesma cousa). E a treplica daquelle é
afinal uma confissão de que julguei bem.
A sua lembrança, de extrahir certidões, não é má. Creio, porém, que
o silencio delles diante da minha affirmação cathegorica de que “autor
ou seus advogados jamais allegaram as pretendidas adulterações” dispen-
sa-me de proval-o por certidões. Si elles, entretanto, o contestarem
usarei desse recurso, apesar de ser meu desejo dar por finda a
discussão pela imprensa, diante de respostas frageis, injuriosas e
subrepticias como têm sido a do C[arlos de] Campos.
A declaração dos ex-advogados de certo não me seria negada. Mas
é sempre um constrangimento para elles, por affectar embora
indirectamente o segredo profissional. O testemunho, pela fór-
ma que invoquei no meu primeiro artigo, não póde deixar
duvidas no espirito das pessoas imparciaes.
Não vi inconveniente em tocar em bandalheiras ao Bernardino,
que era figura indispensavel nesta discussão, ainda mesmo
que elles não procurassem envolver nella o Prudente, e com
[01-0417- Página 02]
maioria de razão tendo-o feito. Não me propuz a faser uma
recapitulação das bandalheiras delle,* aproveitei-as apenas pa-
ra os meus exemplos, premando por isso mesmo escolher
as mais conhecidas e as que considero provadas cabalmen-
te. O negrão do B. dAmião, consta de meu decreto e elles jamais
se atreveram a negar que o Banco aceitara a metade,
porque isso era muito sabido; o da Sorocabana consta de
orcamentos já publicados pela imprensa e o da accu-
muladora consta dos estatutos publicados.
A violencia de minha linguagem era necessaria. Ha certas
cousas que – ou não se dizem ou se dizem com todas as le-
tras. Você que conhece a questão a fundo póde bem avaliar
a minha indignação – premido da qual não me foi
possivel guardar conveniencias.
Aceitei as duas observações feitas ao ultimo artigo. A 1ª já
me tinha surgido ao espirito, depois que mandei a carta, pare-
ceu-me até que devia continuar a dar de d[outo]r ao homem. A 2ª
tambem é sagravel: tive a intenção de fazer pilheria, mas
podiam suppôr que era medo, ou pelo mesmo receio. E a ver-
dade é que não estou mesmo lá muito surpreso, se apparecer por
ahi meio desprevenido. Por menos apanhou o Mercado… um susto
ou um tapa. Saudades a teus e um abraço do primo e am[ig]o
João Sampaio
Até o fim do mez, se Lolota estiver bôa, estarei por ahi.
Lista de apelidos:
Antonio de Moraes Barros – Nhonho / Nhônhô
Carlota de Moraes Barros – Lolota