Carta de Paulo de Moraes Barros, 1907, 01-0000639
Metadados
Descrição
Carta de Paulo de Moraes Barros para Antonio de Moraes Barros, Piracicaba - SP, 1907
Código do documento
01-0000639
Remetente / Autor
Paulo de Moraes Barros
Destinatário
Antonio de Moraes Barros
Texto do documento
[01-0639- Página 01]
Piracicaba, 2 de Março de 1907
Nhonhô
Respondo a tua de ante-hontem.
Pelas informações que me dera o Cinci=
nato, as dividas de tio Antoninho
não garantidas por hypotheca eram
as seguintes:
Sinhô, 20 contos e juros, sendo 10
de tio Antoninho e 10 do Cincinato,
mas, que este pagou, ficando, po-
rem, tio Antoninho com elles: os juros
de 15%, devem andar em 5 ou 6 contos.
Portanto, Sinhô —— 25:000$
Barboza & Comp[anhi]a, informa-
ção de Cincinato, advogado d’elles - 23:000$
Toniquinho 10:000$
Portugueses de Rib[eirao] Bonito 6:000$
Bicas em S[ão] Carlos e S[ão] Paulo 16:000$
80:000$
que com a divida do Cerquinho
eleva o passivo a cerca de 200 contos,
que é, parece-me, a base mais segura
[01-0639- Página 02]
para o calculo de amortização.
Acho muito baixo o calculo de 40 con=
tos para despezas da familia e custeio
da fazenda. A familia em S[ão] Paulo e
tio Antoninho pessoalmente, acceitando
que as despezas politicas serão abolidas
em absoluto, não podem gastar menos
de 1 conto por mez: 700$ como mesada
e 300$ para pequenos e inevitaveis
extra. A fazenda, administrada economi=
camente, como tio Antoninho sabe
fazer, não pode ser custeada com
menos de 3 contos por mez, sob peri=
go de ficar a conservação prejudicada.
Assim, a verba annual e um pouco
apertada para aquellas despesas não
pode ser menor de 48 contos. A
renda da fazenda deve pois ser suf-
ficiente para essa verba obrigada e
para amortisação de capital e juros,
[01-0639- Página 03]
já não digo em 5, mas em 7 ou
8 annos. Acceitando-se uma media
de 14000 arrobas de producção e não
12 e pouco, como no teu calculo,
a renda annual será de 70 contos,
de sorte que sobrarão 22 para pa=
gamento da divida, ou seja, 20 para
juros nos primeiros annos e 2 para
capital…. Este calculo é o razoavel;
a falta de braços, elevando o salario
agricola, e a baixa de preços do café, possi=
vel, mas pouco provavel, podem
ainda baixar mais a renda da fazenda.
Se tio Antoninho conseguir reduzir
o total da divida inicialmente
a 180 contos, a situação melhora.
E deduzindo d’ella a minha reposição
de 30 contos, com esforço de que elle
é capaz, com tenacidade, descobrin=
do um meio de affastar o Chico, da
[01-0639- Página 04]
fazenda, o negocio é viavel. Com
a boa apparencia com que vi tio
Antoninho ultimamente, acredito
que elle terá vida por bastantes
annos, sufficiente para ver-se um
caminho da prosperidade. E, vendo
seus negocios arranjados, acredito que
ficará com o moral levantado
e fortalecido para a lucta.
Saudades e abraços a todos
do mano
Paulo.
Lista de apelidos:
Antonio de Moraes Barros – Nhonho / Nhônhô
Piracicaba, 2 de Março de 1907
Nhonhô
Respondo a tua de ante-hontem.
Pelas informações que me dera o Cinci=
nato, as dividas de tio Antoninho
não garantidas por hypotheca eram
as seguintes:
Sinhô, 20 contos e juros, sendo 10
de tio Antoninho e 10 do Cincinato,
mas, que este pagou, ficando, po-
rem, tio Antoninho com elles: os juros
de 15%, devem andar em 5 ou 6 contos.
Portanto, Sinhô —— 25:000$
Barboza & Comp[anhi]a, informa-
ção de Cincinato, advogado d’elles - 23:000$
Toniquinho 10:000$
Portugueses de Rib[eirao] Bonito 6:000$
Bicas em S[ão] Carlos e S[ão] Paulo 16:000$
80:000$
que com a divida do Cerquinho
eleva o passivo a cerca de 200 contos,
que é, parece-me, a base mais segura
[01-0639- Página 02]
para o calculo de amortização.
Acho muito baixo o calculo de 40 con=
tos para despezas da familia e custeio
da fazenda. A familia em S[ão] Paulo e
tio Antoninho pessoalmente, acceitando
que as despezas politicas serão abolidas
em absoluto, não podem gastar menos
de 1 conto por mez: 700$ como mesada
e 300$ para pequenos e inevitaveis
extra. A fazenda, administrada economi=
camente, como tio Antoninho sabe
fazer, não pode ser custeada com
menos de 3 contos por mez, sob peri=
go de ficar a conservação prejudicada.
Assim, a verba annual e um pouco
apertada para aquellas despesas não
pode ser menor de 48 contos. A
renda da fazenda deve pois ser suf-
ficiente para essa verba obrigada e
para amortisação de capital e juros,
[01-0639- Página 03]
já não digo em 5, mas em 7 ou
8 annos. Acceitando-se uma media
de 14000 arrobas de producção e não
12 e pouco, como no teu calculo,
a renda annual será de 70 contos,
de sorte que sobrarão 22 para pa=
gamento da divida, ou seja, 20 para
juros nos primeiros annos e 2 para
capital…. Este calculo é o razoavel;
a falta de braços, elevando o salario
agricola, e a baixa de preços do café, possi=
vel, mas pouco provavel, podem
ainda baixar mais a renda da fazenda.
Se tio Antoninho conseguir reduzir
o total da divida inicialmente
a 180 contos, a situação melhora.
E deduzindo d’ella a minha reposição
de 30 contos, com esforço de que elle
é capaz, com tenacidade, descobrin=
do um meio de affastar o Chico, da
[01-0639- Página 04]
fazenda, o negocio é viavel. Com
a boa apparencia com que vi tio
Antoninho ultimamente, acredito
que elle terá vida por bastantes
annos, sufficiente para ver-se um
caminho da prosperidade. E, vendo
seus negocios arranjados, acredito que
ficará com o moral levantado
e fortalecido para a lucta.
Saudades e abraços a todos
do mano
Paulo.
Lista de apelidos:
Antonio de Moraes Barros – Nhonho / Nhônhô